"Juninho do Zé Adolfo"O prefeito reeleito de Matutina, no Alto Paranaíba, “Juninho do Zé Adolfo” (PV) que, juntamente com seu vice Deiver Londe Vargas, foi cassado por conta de uma somatória constrangedora de abuso do poder político nas eleições do ano passado, está recorrendo à Corte do TRE  contra a decisão do juiz da Comarca de São Gotardo, Melchiades Filho, mas nos meios jurídicos se avalia com muito pessimismo suas possibilidades de permanência no cargo tamanhas são as irregularidades por ele praticadas muito bem fundamentadas no processo pelo promotor Sergio Alvares Contagem.

“Juninho” (foto) e o vice perdem seus direitos políticos por oito anos, além de multas de R$ 53.205 mil, por crimes eleitorais típicos de verdadeiro coronelismo tais como contratação de 41 funcionários em pleno processo eleitoral, além da utilização, com a cumplicidade do secretário municipal de Obras, de máquinas e servidores da Prefeitura para realização de serviços em propriedades rurais de eleitores, violando a Lei 9.504/07, que exige rigor no trato destas questões.

O promotor Sérgio Álvares entende que a simples prática das condutas vedadas, como espécie de abuso de poder político, já estabelece a presunção objetiva de desigualdade na disputa eleitoral. E o Juiz Melchiades Filho emendou: “Sem dúvida alguma, condutas como a descrita tendem a afetar a igualdade de oportunidades entre os candidatos no pleito eleitoral, em detrimento daqueles que não têm a mesma possibilidade de usar a máquina pública”.

Nesta pequena cidade com população pouco superior a 4 mil habitantes situada a 30 km de São Gotardo, “Ze Adolfo” (PV), nascido nesta  São Gotardo,  foi eleito com 40,37 % dos votos , equivalente a 1.144 sufrágios, contra 984 do segundo colocado Gilberto do Quito (PTB) ou 34,72%. Os números, acima, deixam a dúvida se tais ilegalidades praticadas, caso devidamente comprovadas, não teriam influído no resultado eleitoral.

Em outra decisão do juiz eleitoral de Patos de Minas, o prefeito “Praxedão” (PMDB), de Tiros, cidade a poucos km de Matutina, com sete mil moradores, foi também cassado, juntamente com seu vice, pela prática dos mesmos abusos do poder político. Praxedão recorreu à Corte do TRE e perdeu por dilatada margem de 5 X 2, que juristas igualmente consideram difícil reverter no TSE, considerando que tribunais de última instância estão decididos não mexer em decisões de segundo grau. Ainda mais em se tratando de um momento em que se julga o próprio presidente da República, em processo semelhante.

CORRUPÇÃO GROSSA EM SÃO GOTARDO

Ironicamente, em São Gotardo, ali pertinho, comete-se crimes até piores de apropriação de dinheiro público tanto na Prefeitura como na Câmara Municipal, mas, estranhamente, nunca seus políticos são punidos. Neste município de 36 mil habitantes, ocorreu, em 2013, na administração do atual mandatário reeleito Seiji Sekita, um dos casos mais escabrosos de desvios de verbas na pasta de Saúde estimados pela empresa auditora em R$ 9 milhões. Praticou-se todos os tipos de falcatruas que, inclusive levaram o Hospital Municipal (Santa Casa) à falência. O montante, se devidamente reajustado, superaria a casa dos R$ 20 milhões. Estranhamente, ninguém foi condenado à cadeia até hoje nesse escândalo.

Na Câmara Municipal desta cidade movida por uma rica agricultura, com muito dinheiro circulando, os promotores Kleber Couto e o atual Sergio Alvares Contagem, a partir de 2102, fizeram profundas investigações  que culminaram em comprovações de safadezas envolvendo 10 vereadores na  falsificação de documentos e uso indevido de equipamentos e veículos, ocasionando prejuízos que, também reajustados, já ultrapassariam R$ 3 milhões. E nenhum deles recebeu qualquer punição, até hoje. Atualmente, a jogada dos réus visa empurrar os processos até que  prescrevam .

Na atual Câmara, grande parte desses políticos malfeitores foi reconduzida ao poder. Partidos diversos estão lá representados, entre os 13 vereadores. Mas não existe oposição ao prefeito. Todos rezam na sua cartilha. Um dos maiores acusados em iniquidades na Casa Legislativa, o vereador Gilberto Cândido de Oliveira, “Ganga”, foi eleito por 13 x 0 presidente da Câmara. Pra se ver que a cidade está aberta à prática de ilegalidades. Enfim, um município onde político pode roubar à vontade pela certeza de impunidade. Mas fica uma pergunta intrigante: por que  somente lá os corruptos não são punidos?

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