Gafe de Dilma constrangeu o próprio Lula, dizendo que o PT estava comemorando 37 anos de existência

Gafe de Dilma deixou  o próprio Lula constrangido. 

Vivenciando momentos de crise existencial, o PT nacional escolheu o Minascentro de BH, ontem à noite, para exaltar seus 35 anos de fundação. A opção tinha lá seus motivos. A conquista do Palácio da Liberdade – transformada em “joia da coroa” do petismo e único troféu de peso nas últimas eleições (não se incluindo o Planalto) –  se encaixava perfeitamente nos planos de despertar a militância que vinha se fragmentando ao peso de tantas denúncias de corrupção. 

Não há dúvida de que a poltrona do Palácio da Liberdade se apresenta como o espelho a refletir o PT no país, motivo pelo qual o partido queria glorificar o feito, devidamente repercutido na mídia. Uma boa oportunidade também para injetar na militância o calor intenso das antigas sedições mineiras contra a coroa portuguesa. 

A cúpula do partido intencionava encaixar na programação as lendas de que em Minas ainda se pode respirar os ares das antigas rebeliões contra a cobrança dos quintos! Dizia-se, no passado, que os ares das minas de ouro exalavam os miasmas das insurreições. Enfim, não havia palco melhor que a terra de Tiradentes, Felipe dos Santos, Aleijadinho, Milton Campos e Juscelino, para os discursos inflamados de Lula e Dilma.

Neste sentido, a festa dos 35 anos tinha mesmo a finalidade de mostrar a vitória acachapante do PT, em clima de guerra e muitos complôs, sobre o adversário Aécio Neves, mas a notícia de deflagração da Nona  Operação Lava-Jato da PF alterou os planos, transferindo a mobilização para o Minascentro.

Toda a cúpula petista compareceu lotando o auditório, a partir das 17 horas: Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Rui Falcão, os governadores eleitos pela legenda, incluindo o mineiro Pimentel, deputados e uma forte militância, além do próprio tesoureiro João Vaccari neto, acusado pela PF em crimes hediondos de corrupção, mas muito ovacionado em desagravo às pesadas denúncias. Era como se um herói civil, um Tiradentes, em cumprimento do dever! Nada intimidava a militância, nem mesmo os protestos de mineiros, em forma de panelaço, do lado de fora, contra a roubalheira na Petrobras. 

O clima estava impregnado de fanatismo e manifestações de “desagravo às vítimas da mídia golpista”. O auditório repleto, cada vez mais inflamado! Os ânimos recrudesceram e Lula gesticulava enfurecido, gritando, com sua voz rouca e arrastada, à sua platéia embevecida: “O critério adotado pela imprensa é a criminalização do PT. Eles trabalham com a convicção de que é preciso criminalizar nosso partido. Não importa que seja verdade ou não verdade. Não é fácil um partido de esquerda governar um país importante como o Brasil. Eles não querem nem deixar concluir o mandato da Dilma, tentando criar todo e qualquer processo de desconfiança. Querem que o PT seja desacreditado pela sociedade brasileira”.

A presidente Dilma, por sua vez, cometeu a maior gafe da noite. Em seu discurso aumentou em mais dois anos a idade do partido, dizendo que ele comemorava 37 anos. Uma líder pouco informada sobre a própria história de sua legenda! Ainda na sua fala, cobrou uma prática que o próprio PT não respeita: “É preciso ter orgulho da Petrobrás”, bradou ela, complementando: “Isso que está acontecendo é golpismo dos inconformados com o resultado das urnas”.

ÓDIO E FANATISMO, 

O PAÍS DIVIDIDO

O auditório do Minascentro mais parecia uma concentração religiosa na qual o líder da seita adverte que fora dos seus ensinamentos não existe felicidade e nem salvação. Na verdade, o discurso petista, ao invés de pacificar o país dividido desde as eleições, lança ainda mais combustível ao clima de ódio. O que se viu na prática foi uma tentativa de abafar escândalos e jogar o povo contra o povo, atiçar militantes contra “a mídia golpista”.

Não há dúvidas de que tais práticas de manipulação das massas pode mergulhar o país numa crise ainda mais profunda. Lula parece esquecido de que a nação se encontra entregue à violência nas ruas, sem segurança pública, transporte, saúde e educação. Tudo isso, agora, ainda mais agravado pelos riscos de colapso no abastecimento de água e energia elétrica.

Entre 1893/95, no governo agitado de Floriano Peixoto, a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul foi o resultado de ódio e sede de vingança, incontroláveis, entre “maragatos” e “pica-paus”. Doze mil pessoas pereceram em combates, duas mil delas levadas para dentro de currais e degoladas, como se animais. Os próprios historiadores se constrangem quando narram a violência deste conflito.

Facebooktwitterpinterestlinkedinmail
rss