ODAIR MUSSI

Há décadas, os moradores de Abaeté dos Venâncios sonham com água limpinha  para beber. No presente momento, matam a sede e tomam banho com água emporcalhada e contaminada por  coliformes fecais. Nos últimos 20 anos, todos os prefeitos prometeram resolver o problema. Sempre discursos mentirosos. Há exatos dois anos, o atual, Seiji Sekita, assegurou ao seu então amigo vereador Odair Mussi (foto) que  solucionaria o drama dos 800 moradores. De repente, os dois brigaram e se transformaram em grandes inimigos! Ainda assim, depois de muita briga, o poço ficou pronto e jorrando água farta e transparente. Mas o governante, em represália e por vingança, diz que a água só será ligada às residências daqui a seis meses.  Sem água sequer para as crianças, o povo se revoltou e explodiu. Já não aguenta mais tanta maldade. Pode acontecer alguma coisa grave.

SÃO GOTARDO/URGENTE – Sob calor intenso   de mais de 3O graus e sensação térmica de 40, sem sequer uma gota de água para matar a sede das crianças, muitos dos 800 moradores do Distrito de Abaeté dos Venâncios, município de São Gotardo, no alto Paranaíba, não escondiam, ontem à tarde, o estado de revolta e faziam claras ameaças, para quem quisesse ouvir, de que vão botar fogo na sede da prefeitura, pois não aguentam mais suportar um prefeito tão vingativo e ruim.

O clima de insatisfação era legítimo, de pessoas sofridas. Não havia nele qualquer manipulação política. Estavam ali pessoas muito revoltadas. E diziam o que lhes vinha na cabeça! Afinal, provocar incêndios já virou rotina no país. Há muitos anos, os quase 800 moradores lutam para ter água na localidade. Tudo que querem é um poço artesiano. E seu custo não chega a R$ 40 mil. Há cerca de 10 dias,  depois de tanta espera, a obra ficou pronta.  Mas o governante, por implicância, avisou que a inauguração demora seis meses. Foi o mesmo que jogar gasolina na fogueira: a população explodiu!

Atualmente, lá se bebe água barrenta e contaminada por coliformes fecais. Vários prefeitos prometeram e não cumpriram. O atual, Seiji Sekita, há dois anos, também garantiu a obra. Mas em função de ter brigado com o vereador Odair Mussi de quem tem, hoje, ódio mortal, vem fazendo tudo pelo retardamento. Para se ter ideia, o dinheiro  para o projeto estava no caixa da prefeitura, há quase seis meses. 

Há cerca de 10 dias, depois de muita briga, a obra foi concluído. Só que o prefeito, num gesto de represália e provocação ao rival, logo fez questão de acabar com a alegria do povo, declarando ao presidente da associação local que a inauguração só será daqui a seis meses. E como se não bastasse, a própria água fétida e barrenta parou, repentinamente, de entrar nas casas, em meio a um calor intenso. Foi a última gota que faltava: os moradores explodiram, cheio de ódio.

Procurado, nesta semana, pelo dirigente da associação, Sekita fez questão de declarar, em tom de bravata e represália, que a ligação da água às residências depende de um sistema elétrico que só a CEMIG pode implantar. Diante disto, afirmou ele, os quase 800 moradores poderão continuar sem água, durante mais seis meses.

Sem sensibilidade de homem público, Sekita permite que os moradores dividam com os animais a água desse poço.

Sem sensibilidade de homem público, Sekita permite que os moradores dividam com os animais a água desse poço.

Suas palavras foram interpretadas como se verdadeiros vitupérios, coisa de quem pratica sadomasoquismo. O mandatário nem mesmo se sensibiliza diante de tanto sofrimento de pais e crianças vivendo a intensidade de um calor como jamais se viu. Mas tudo indica que o povo vai reagir e a distribuição de água será feita com ou sem a permissão do prefeito. “Ela será ligada, por bem ou por mal”, afirmou um morador.

Este tem sido o jeito Sekita de ser nos  dois anos de governo, sempre pirracento, vingativo e disposto a prejudicar o antigo amigo Mussi. Mas o tiro está saindo pela culatra. A população de São Gotardo já o tem sob a pecha de pior administrador que a cidade conheceu.

O morador Jerci Luiz de Freitas, 69 anos, é um dos mais antigos da comunidade. Há 51 anos está lá. E desde quando tudo ali era cerrado aberto. E diz: “meu senhor, estamos desesperados, o que esse prefeito vem fazendo com a gente, não é coisa civilizada. E se ele cumprir com a ameaça de ligar a água só daqui a seis meses é melhor a gente morrer de vez. Imagina se dá pra ficar sem água com esse calor. Sekita nos trata como se fossemos animais. Aqui pertinho, na fazenda dele, tem água limpinha para as rezes dele e até irriga suas plantações com água pura. Mas nós estamos bebendo barro com coliforme fecal.

Dona Ivanda Maria Sousa Silva, mãe de três filhos, reside na localidade, desde criança. “Esse prefeito é desumano, moço. Aqui bem pertinho, ele está irrigando sua plantação de batata com água limpinha, clarinha, enquanto nós aqui bebemos água suja, barrenta e contaminada. Não dá mais pra agüentar”. diz ela.

Da mesma maneira desabafa o morador Orlando Ferreira Freitas, “Orlandinho”. “Olha, seu jornalista, já não sei o que fazer. Busco água pra beber na casa de um amigo a quase um km daqui. Imagina o que nós estamos passando aqui com esse calorão louco. Não temos como agüentar mais seis meses de prazo para o poço artesiano funcionar”.

Sua irmã Maria Aparecida Freitas Ferreira, que já trabalhou na casa de Sekita, também reclamou: rezo para Deus iluminar e inspirar Seiji. Ele não pode deixar a gente nessa situação. Não desejamos, para ninguém, o que estamos vivendo aqui”.

Local por onde passa a +ígua que chega ao resevat+¦rio.Em abaeté dos Venâncios, as famílias de maior poder aquisitivo estão abandonando o local e mudando-se para a cidade numa fuga ao descaso e desrespeito por parte das autoridades públicas. Vários motivos tem impedido o desenvolvimento local.

Segundo Mussi, falta ligação do asfalto entre o distrito e SG, e o estado de conservação da estrada é sempre muito ruim. Os lotes não estão escriturados e se encontram em poder da Igreja Católica que,  através de seus representantes, não tem dado respostas satisfatórias. Essa situação impede investimentos na comunidade e que as pessoas obtenham empréstimos em bancos para construção, reforma, ampliação. Impossibilita e até mesmo, usufruírem de benefícios do Governo como, por exemplo, o “Minha casa Minha vida”.

A escola local já eliminou o ensino médio pela falta de aluno. O ensino fundamental só funciona porque se busca crianças de fora para completar o número de alunos. O esporte não tem nenhum apoio, o alambrado do campo está todo caído. Há vários anos que a comunidade não conta com médico, dentista e nem remédios. Enfim, existem muitos problemas a serem resolvidos, porém, o principal e mais grave de todos é a falta água.

No ano de 2014, a prefeitura ficou de repassar R$ 49.000,00 para a Associação resolver pequenos problemas na comunidade, mas liberou apenas R$ 7.000,00 que foram usados para pagar funcionários, responsabilidade da própria prefeitura. Resumindo a Associação não recebeu nada.

Tudo isso, ao longo do tempo, vem contribuído para que as famílias abandonem o local. Se esses problemas não forem solucionados com urgência a comunidade está fadada à total ruína. O vereador Odair Mussi, que já morou naquela comunidade por 10 anos vem lutando junto às autoridades. Sua batalha maior é pela inclusão do distrito no programa de água tratada da COPASA, mas nem o prefeito ou a empresa demonstram interesse.

Em 27 de março de 2013, logo que assumiu o mandato, o vereador já encaminhava o seu 1º Requerimento ao prefeito municipal, pedindo informação sobre o convênio existente entre o município e a Copasa, em relação ao referido distrito,

O próximo passo do vereador foi levar uma comissão de vereadores até o distrito para averiguar a situação. O que desencadeou em representação ao Ministério Público assinada pelos 13 vereadores pedindo em regime de urgência a solução do problema.

A falta de água na escola para fazer merenda e banho das crianças fez com que a diretora, enviasse ao Prefeito ofício nº 05/2014, solicitando um caixa d água de 10 mil litros a ser abastecida ida por caminhão pipa. Também não foi atendida. O ofício foi enviado junto com as fotos.

Esporte amador, eventos culturais, festas cívicas do município, tudo foi cortado  pelo prefeito. O alambrado deste campo, em Abaeté dos Venâncios, está à espera de reformas.

Esporte amador, eventos culturais, festas cívicas do município, tudo foi abandonado pelo prefeito. O alambrado deste campo, em Abaeté dos Venâncios, está à espera de reformas.

Novamente em 27/02/2014, Odair Mussi encaminhou outro pedido de providência nº 10/2014 aprovado por unanimidade pela casa legislativa, cujo teor revelava a gravidade da situação do distrito, e pedia que a situação dos.moradores fosse resolvida o mais rápido possível

Enquanto não se tem a energia pode-se trabalhar com motor diesel e resolver a situação. O problema é que Seiji se esforça para colocar a população contra o vereador e o presidente da Associação. O extrato da conta se encontra em seus arquivos.

Finalmente, conseguiu-se com o apoio do vereador Ganga e Marcilon , através de um deputado, recursos no valor de R$82.096,95 para perfuração de um poço artesiano para abastecer a comunidade. O dinheiro ficou à disposição do prefeito seis meses conforme comprova o extrato da CEF, do dia 15/09/2014.

Depois de muita briga e cansaço, há cerca de 10 dias, , o poço foi perfurado. Com vazão aproximada de 25 mil litros/hora, está jorrando água naturalmente, mas Abaeté dos Venâncios, a 800 metros, continua passando privação.

O Presidente da Associação também já procurou o prefeito por várias vezes em busca de solução para o problema. A última resposta que teve, esta semana, foi a amarga notícia de que a distribuição de água pode levar 6 meses, prazo estimado para instalação de energia. Quisesse o prefeito resolver o problema rápido, decretava calamidade pública e colocaria o encanamento pois, a perfuração do poço ficou em mais ou menos R$20.000,00. O restante do dinheiro daria para comprar os canos da adutora e ainda sobraria para pagamento de parte da energia

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