Promessas assumidas a partir de 2008 por três administrações seguidas, duas delas em mandatos do  atual prefeito petista reeleito Seiji Sekita, as obras do Hospital Regional de São Gotardo jamais saíram do papel. Foi projetado para 101 leitos ao custo de R$ 22 milhões com data de inauguração marcada para agosto de 2014, mas tudo não passou de estelionato eleitoral alimentando sonhos e fantasias dos moradores locais  e dos demais municípios  vizinhos esperançosos de um dia solucionarem seus graves problemas de saúde pública. No terreno de 6.000² da própria prefeitura na Av. Paulo Shimada, próximo ao CESG, nunca se viu um caminhão de tijolos lá descarregado. Situado  em beira de brejo aterrado cobrindo irregularmente minas de água no histórico Córrego Confusão, tudo que se vê do empreendimento  são tapumes nos quatro lados, deixando visíveis apenas as grandes placas propositalmente colocadas antes do pleito municipal,   para sedução dos eleitores. Não menos questionável, a empreiteira Santa Bárbara vencedora da licitação se encontrava inabilitada para participar, acusada de muitas irregularidades e dívidas na praça.

 CESTA BÁSICA DE SONHOS E FANTASIAS

No artigo 171 do Código Penal o estelionato é exposto como  ato de “obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.” A pena para a prática de estelionato pode ir de 1 a 5 anos, e multa. Para que se verifique o estelionato, devem ser cumpridas quatro premissas: o praticante deve obter uma vantagem (1) e prejudicar outra pessoa (2), sendo que para isso utiliza um esquema (3) que instiga alguém a errar (4).

Para bom êxito dessa  prática  de enganar, os vigaristas, incluindo-se políticos, sempre têm em vista a sedução dos incautos em sonhos de realizações e satisfações pessoais consideradas quase impossíveis . Costumam inventar imaginativas cestas básicas de produtos infalíveis.  Em São Gotardo, como em qualquer cidade interiorana, os sonhos de consumo de tais prazeres se fundamentam na  angustia das famílias frente a carência de bom atendimento médico. A situação caótica nesse setor  deixaria de existir se implantado lá   um moderno e bem equipado hospital. Enfim, uma modalidade de  assistência médica  que pusesse fim aos gravíssimos problemas ocasionados aos  pacientes sempre deslocados para outros municípios em busca de socorros urgentes. Desta ansiedade se aproveitam os maus políticos que, quase sempre, logram êxito nas suas investidas. No caso do PT, seus deputados costumam  ter prontinhos à  tiracolo, quando visitam   redutos eleitorais,  sortidas variedades  de convincentes projetos de obras sociais estratégicas, de hospitais ou escolas, para se encaixarem nos mais exigentes sonhos de consumo. Dilma Housseff foi uma excelente professora nessa arte de engalopar, que herdou do seu mestre guru.

A política nacional, dos anos 90 para cá, se caracteriza pela presença nos palanques do que há de pior em termos de candidato: a nata do rebotalho que se mira exclusivamente em projetos pessoais de enriquecimento ilícito. Criou-se  a cultura dos profissionais, que não deixa espaço aos cidadãos bem intencionados. Política deixou de ser  coisa republicana  para ser coisa de picaretas. Registre-se que a maioria deles mal sabe escrever. Vivencia estágio primário de analfabetismo.

 O VELHO DISCURSO DE PALANQUE

Em São Gotardo, o primeiro a lançar mão do expediente farsesco do hospital regional foi o comerciante Edson Cezário de Oliveira que, em 2008, se lançou candidato fazendo promessas de tornar real o sonho são-gotardense e se deu muito bem. Levado ao poder, seu mandato foi marcado por frequentes denúncias de corrupção e passou o cargo ao sucessor com atraso nos salários e o 13º do quadro administrativo, além de deixar o Hospital Municipal em estado ruinoso.

Em 2012 foi a vez do empresário rural Seiji Sekita, do PT, que trilhou o mesmo caminho populista do seu antecessor, conseguindo derrotar, inclusive, um médico ex-prefeito, indo ainda mais longe nas promessas. Garantiu que, em agosto de 2014, inauguraria a obra, deixando registrada no Facebook até a data do evento festivo. Do regional nem sequer foi lembrado. Em meio a uma tempestuosa onda de denúncias de corrupção que marcou seu mandato o projeto s do regional simplesmente foi esquecido.. como se não bastasse, o já precário atendimento médico na Santa Casa, também foi para o espaço por conta de um escândalo denunciando desvios de R$ 9 milhões na Pasta de Saúde. Resumindo, a cidade não ganhou um hospital regional e ainda perdeu o único que tinha.

Em clima político de completo desgaste Seiji Sekita encerrou o mandato , mas cismou de lançar seu nome, novamente, em 2106, pelo mesmo PT, após verificar que não conseguia achar um nome para sucedê-lo. Homem de muitos cabedais, ele decidiu investir forte na campanha e retornou à beira do brejo no Córrego da Confusão anunciando outra mirabolante promessa de erguer o tão desejado regional. Em pomposa solenidade, sob estrondosos fogos de artifício que cobriram de fumaça o céu nas imediações do Confusão, ele lançou a pedra fundamental da edificação, prometendo que era a obra do próximo prefeito.

Para dar ares de seriedade e convencimento ao projeto ressuscitado na mira de seduzir eleitores, descarregou no loteamento centenas caminhões de terra e fechou os quatro lados com tapumes e grandes placas alusivas ao empreendimento. A população se deixou mais uma vez seduzir e ele venceu as eleições após ter seu primeiro mandato avaliado como o pior da história local. Passados quase oito meses da posse não se ouve uma palavra sequer do prefeito sobre o empreendimento. Na Câmara Municipal, os 13 vereadores, incluindo uma mulher, rezam na cartilha do prefeito e não fiscalizam os interesses da cidade. O povo reclama e se queixa de que o município está abandonado, não tem obras, mas sem motivos justificáveis, pois  reconduziu o atual mandatário por mais quatro anos. Vão ter de aguentar o homem!

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